Análise: Bleach Rebirth of Souls traz estilo em lutas cheias de potenciais reviravoltas estilo anime

O jogo adapta a obra de Tite Kubo em um mundo de lutas 3D.

em 03/04/2025
Bleach Rebirth of Souls é um jogo de luta 3D desenvolvido pela Tamsoft sob supervisão da Bandai Namco. Com alto nível de estilização e trilha sonora composta por Takeharu Ishimoto (The World Ends With You), o título já chamou atenção desde seus primeiros trailers. O seu lançamento acompanhou alguns problemas técnicos iniciais no PC, mas a obra se mostra competente em sua execução.

Um lançamento conturbado

Bleach Rebirth of Souls foi lançado para PC, PS4, PS5 e Xbox Series X|S no dia 20 de março. Porém, a chegada ao PC foi particularmente afetada por questões técnicas que impediam os jogadores de acessarem vários modos, às vezes ocorrendo até mesmo crashes antes das partidas começarem.

Os problemas foram majoritariamente resolvidos em atualizações posteriores. Embora ainda seja possível encarar situações muito raras de fechamento repentino, a situação agora está sob controle e é possível aproveitar o jogo com tranquilidade.

Embates dinâmicos e personagens variados

Bleach Rebirth of Souls é um jogo de luta no formato “1 vs 1” com visual tridimensional, e como opções jogáveis temos mais de 30 personagens da franquia criada pelo mangaká Tite Kubo. No geral, as escolhas são boas para os arcos cobertos (do início até a batalha contra o grande vilão após a ida ao Hueco Mundo), embora a ausência de Orihime no rol seja especialmente sentida devido à grande participação da personagem na história.

Em termos do combate, vale destacar que as batalhas são estritamente focadas nos personagens, fazendo com que o seu deslocamento pelo ambiente 3D seja em relação ao adversário, como acontece em Tekken. Em geral, isso também se traduz em ambientes que, embora bonitos, são intencionalmente mais vazios de interações.

Para atacar, o jogador pode usar três tipos de ataque básico (rápido, fulminante e único) ou as rupturas que servem para quebrar bloqueios. Porém, o aspecto mais fundamental é entender bem o alcance de cada um dos personagens envolvidos para poder avaliar as jogadas possíveis.

Alguns lutadores podem atacar mais de longe, outros dependem de se aproximar mais e às vezes será possível punir um erro de cálculo de distância. Combos longos também podem gerar aberturas antes do jogador voltar ao estado normal, sendo possível abusar desse timing caso o adversário se afobe ao atacar enquanto o jogador está em postura defensiva.

Para vencer, o jogador deve eliminar totalmente os pontos de vida do adversário, o que aqui não significa apenas a barra tradicional de jogos de luta. Em vez disso, cada lutador possui uma certa quantidade de pontos e podemos usar técnicas especiais para reduzí-los antes de eliminar totalmente essa barra.

Porém, fazer essa redução completa, que no jogo é chamado de “Soul Break”, rende um ponto extra. Também é possível transformar os personagens em formas mais poderosas ao longo da batalha e isso aumenta ainda mais a quantidade de pontos removidos do inimigo, fazendo com que haja sempre formas de subverter essa pontuação até o final.

Um detalhe que também chama a atenção é que temos personagens com habilidades bem específicas que podem fazer diferença no combate. Um bom exemplo disso é Szayelaporro Grantz, cujo poder especial envolve analisar o oponente a cada golpe, o que permite, por exemplo, reviver o personagem automaticamente após perder todo o seu Konpaku caso o jogador esteja em uma porcentagem alta de “análise”.

Com esses elementos, os personagens conseguem ter tanto uma estrutura básica que é fácil para novatos aprenderem quanto uma diversidade de padrões que é muito importante em um jogo dessa natureza.

O modo história

Um dos pontos de destaque do jogo é o modo história que adapta os arcos da trama desde o início do mangá até o embate entre Ichigo e o vilão principal da história, que foi introduzido como uma das reviravoltas do arco da Sociedade das Almas e só é de fato enfrentado após Hueco Mundo. Cada arco é apresentado como um menu de nós interligados em que cada ponto é uma missão ou trecho da história.

Conforme a trama avança, temos linhas paralelas dos eventos e a oportunidade de prosseguir em ordens diferentes. Embora haja bloqueios que exigem que certas missões tenham sido concluídas, há alguns trechos opcionais de história que são separados.

Além de derrotar os inimigos, um detalhe interessante do modo é que certas batalhas contam com objetivos especiais, como executar certos ataques dentro de um limite de tempo. Caso o jogador tenha êxito nessas missões especiais, receberá recompensas adicionais e será possível desbloquear algumas histórias extras no modo História Secreta, que expandem a narrativa para mostrar a perspectiva de vários personagens além do protagonista.

De forma geral, há um bom esforço em adaptar todos os pontos centrais da trama e há boas recapitulações rápidas do que aconteceu. Existem, porém, alguns pequenos equívocos, como personagens que se apresentam antes do que deveriam, o que acaba gerando inconsistências nítidas até mesmo ignorando a obra original.

Vale destacar que o jogo pode ser jogado em português do Brasil com opção de voz em japonês ou inglês. A qualidade da tradução pode oscilar bastante dependendo do trecho do jogo, indo de momentos extremamente fluidos que usam expressões populares brasileiras a outros em que o texto parece uma tradução muito rígida do inglês e totalmente artificial. De forma geral, o texto está aceitável, mas os erros são notáveis.


Fora da questão da trama em si, o modo história tem um elemento bastante interessante na forma como ele aproveita o combate. Em vez de somente adaptar as lutas contra os personagens jogáveis, temos também combates contra grandes criaturas e inimigos especiais. Com isso, temos Hollows de diversos tipos e alguns outros lutadores, como Baraggan, o Arrancar que antes comandava o Hueco Mundo e que não é jogável.

Nessas disputas, os personagens contra os quais lutamos começam com uma superarmadura que impede que seus ataques sejam interrompidos pelos golpes do jogador. Com isso, eles podem contra-atacar a qualquer momento, seguindo sempre o ritmo próprio, o que força o jogador a planejar bem a cadência dos seus golpes.

Se tiver um bom planejamento de como atacar, será possível quebrar a armadura e deixá-los vulneráveis por um breve período, o que é o suficiente para eliminar a energia vital do oponente. Como esses inimigos não sofrem redução do Konpaku (os pontos de vida) pela Técnica Kikon antes de terem seu atual medidor totalmente eliminado, é fundamental saber a hora de se defender e atacar.

O resultado de tudo que mencionei é que temos um modo história que não se resume somente a uma forma de justificar combates em uma sequência arcade. Na verdade, ele realmente cobre uma boa parte da trama original, um pouco das perspectivas dos personagens secundários e ainda permite vivenciar batalhas bem variadas.

Os outros modos

Além da história, Bleach Rebirth of Souls conta com modos offline e online para aproveitar as disputas contra outras pessoas. No online, só é possível escolher entre partidas livres e a criação de salas. Não há ranqueamento dos jogadores nem nenhum incentivo em particular para o modo e, graças à ausência de crossplay, o resultado é que o modo acaba ficando bem deserto e sendo difícil conseguir outro jogador disponível aleatoriamente.

Já em termos de disputas offline, temos o tradicional Versus local que pode ser jogado contra a máquina ou outro jogador. Além dele, o modo Missões nos permite encarar três inimigos aleatórios de forma consecutiva, sendo possível desbloquear níveis maiores de dificuldade ao alcançar certos pontos da história.

Embora esses modos sejam poucos quando comparamos o título com outros jogos de luta, há ainda os tutoriais. Temos um “Guia de Batalha” que já é ativado assim que abrimos o jogo pela primeira vez, exigindo que o jogador execute ações específicas para avançar. Além dele, há um modo “Desafios” que separa os detalhes básicos e avançados do jogo em pequenas missões de tutorial e o “Treinamento” (no menu Offline) que deixa o jogador testar de forma livre os golpes dos personagens para elaborar seus combos e praticar contraataques.

Para quem ainda não tem muito costume com o gênero, essas escolhas formam um bom arcabouço para aprender a jogar e isso vale até mesmo para o modo história, cuja dificuldade é alterável no menu de opções, e para o método de controle que, por padrão, é simplificado para combos ágeis. Porém, jogadores mais avançados podem acabar sentindo que há poucos incentivos para continuar explorando e se aperfeiçoando, especialmente pelo Online pouco empolgante.

Fora das questões de gameplay, é interessante destacar que Bleach Rebirth of Souls consegue de fato transmitir muito bem o nível de estilização que se espera da franquia. Embora a qualidade da narrativa e outros aspectos da série possa ser questionada, Bleach sempre teve um apelo estético no uso de cores, tipografia e sua trilha pop-rock adolescente japonesa de aberturas e encerramentos.

No jogo, temos telas de transição extremamente chamativas no seu uso de cores, animações detalhadas e um uso bem peculiar da tipografia para indicar momentos decisivos no combate. Porém, o ponto realmente alto é a trilha sonora composta por Takeharu Ishimoto, que consegue trazer uma interpretação nova para a franquia, mas que se encaixa perfeitamente nesse espírito jovem que é sua marca registrada. O destaque especial vai para as músicas usadas para representar as transformações “Awakening” dos personagens, cujas versões fazem clara alusão às suas diferenças de personalidade.

Uma adaptação honesta

Bleach Rebirth of Souls consegue ser um jogo de luta 3D estiloso que interpreta bem a obra original e capz de explorar com riquezas de detalhes os arcos principais de sua trama antes do que está atualmente sendo adaptado em anime. O seu principal gargalo é a falta de diversidade de modos e de um online mais robusto que incentive jogadores a permanecerem ativos, mas, para quem quer matar a saudade da criação de Tite Kubo, a obra acerta em cheio no seu modo história e na construção mecânica do seu combate.

Prós

  • Boa diversidade de personagens jogáveis, alguns dos quais possuem características bem peculiares para dominar;
  • Estrutura de comandos simples de aprender, seguindo as mesmas regras para todos os personagens;
  • O modo história é robusto, cobrindo os principais arcos com disputas que adicionam inimigos além dos jogáveis, missões especiais e histórias adicionais;
  • Os tutoriais e o modo treinamento oferecem um ótimo arcabouço para aprender a jogar e testar opções.

Contras

  • O modo online é bem básico para um jogo dessa natureza, não contando nem mesmo com ranqueamento ou crossplay, o que o deixa pouco movimentado;
  • Exceto pelos modos de aprendizado, os modos offline são relativamente poucos para os títulos do gênero, podendo dar menos valor para jogadores habilidosos;
  • A qualidade da tradução para o português acaba deixando a desejar em alguns momentos;
  • A recapitulação rápida da trama acaba gerando algumas inconsistências em relação à obra original.

Bleach Rebirth of Souls — PC/PS4/PS5/XSX — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC

Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Análise produzida com cópia digital cedida pela Bandai Namco

Siga o Blast nas Redes Sociais
Ivanir Ignacchitti
é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 3.0).