Uma das melhores situações que ocorreram nos últimos tempos foi a vinda de jogos PlayStation para os PCs. O último console da Sony que tive foi um PS2, e fiquei de fora de diversas experiências que a empresa lançou a partir do PS3 em diante, salvo exceções pontuais que me permitiram, por exemplo, jogar o primeiro The Last of Us do começo ao fim em um console emprestado.
Meu interesse por The Last of Us Parte II sempre existiu, especialmente após todas as polêmicas relacionadas à sua direção na história. Mesmo sabendo de praticamente tudo que ocorre, apenas pude imaginar ao ouvir podcasts e ler alguns textos falando sobre os eventos do jogo.
Quase cinco anos depois do lançamento original no PS4, finalmente The Last of Us Parte II Remastered veio para o PC. Baseado na “remasterização” para PS5, a continuação tem a responsabilidade de passar uma melhor impressão do que o problemático port de The Last of Us Part I para a plataforma.
A vingança nunca é plena
Cinco anos após os eventos do primeiro jogo, The Last of Us Parte II começa num cenário bastante diferente. Joel e Ellie vivem na comunidade de Jackson, Wyoming, em relativa paz, apesar de certas desavenças entre eles devido à decisão de Joel no final da jornada anterior.
Contudo, o rumo pacífico da vida deles acaba tendo um encerramento brusco após a aparição de Abby, uma das protagonistas, na vida de ambos. Isso acaba desencadeando não só um novo capítulo na história deles, mas também na de outros ao redor, numa jornada sangrenta de vingança, redenção e humanidade.
Mesmo passados esses anos, o rumo da narrativa de The Last of Us Parte II continua sendo um assunto recorrente. Independentemente do gosto de cada um pela história, o enredo é indiscutivelmente corajoso em não seguir o que é esperado. O maior exemplo disso é a introdução de Abby como uma quebra de expectativa bem-vinda, começando com uma possível antipatia pelo jogador até escalar para ser a verdadeira estrela da trama.
Claro, não concordei com todas as decisões dos personagens, mas isso faz parte da experiência. A proposta da Naughty Dog desde o primeiro jogo foi contar uma história com personagens de personalidade pré-estabelecida, que acompanhamos e controlamos nas partes de ação e interação do cenário. Suas decisões no enredo não cabem a nós, e isso é um fator importantíssimo para seu desfecho.
Mas indo além da parte narrativa, The Last of Us Parte II é um deleite de jogar. O primeiro título já era bem competente em suas mecânicas, e o segundo eleva o gunplay e o impacto da brutalidade para outro nível. Seja jogando de maneira furtiva ou indo para cima com seu poder de fogo, é difícil apontar falhas na jogabilidade e seus sistemas.
A famosa dissonância ludonarrativa é um elemento presente aqui por conta da brutalidade da jogabilidade e o impacto que a matança tem nas protagonistas e a mensagem geral que Neil Druckmann, o diretor e escritor do título, quis passar. Consegui abstrair isso justamente pelo fator videogame ser inerente aqui, mas os debates sobre quem se incomoda continuam válidos.
E o port de PC?
Adianto desde já: o port de The Last of Us Parte II Remastered é infinitamente superior ao do The Last of Us Part I no lançamento. A responsável pela versão é a Nixxes, já conhecida por outros ports de PC como Horizon Zero Dawn e o mais recente, Marvel’s Spider-Man 2 — que acabou vindo com sua própria parcela de problemas.
Ao acessar o menu de configurações gráficas, vemos uma série de opções para customizar cada detalhe técnico de texturas, modelagem, pós-processamento, sombras e iluminação. Para aqueles que querem achar o setup perfeito, dá para passar um bom tempo ajustando as configurações para um desempenho ideal.
Além disso, as tecnologias mais recentes estão presentes, como XeSS, FSR, DLSS, gerador de quadros por I.A., entre outras. Consegui deixar o desempenho satisfatório no alto com DLSS em qualidade no meu PC (com Ryzen 5 5500, RTX 3050 8 GB VRAM e 16 GB de RAM), com quedas de quadros em ambientes muito detalhados, mas quase sempre se mantendo acima de 50 fps (e 60 fps fixos deixando no médio).
No geral, não tive problemas de loadings longos, texturas não carregando e travamentos em quase nenhum momento. Contudo, os quadros caíam para 20 fps em situações específicas. Percebi que isso acontecia porque o jogo ainda estava carregando o restante do cenário de maneira lenta, logo voltando ao normal depois de alguns segundos. Há uma demanda um tanto desnecessária de uso de GPU, o que espero que seja corrigido em breve.
Entretanto, passei por um bug muito esquisito logo na parte aberta de Seattle com Ellie e Dina. Fui em direção a um banco por um buraco, e por algum motivo, ele não carregou o interior do local a tempo, forçando uma tela de carregamento no meio do trajeto por quase um minuto, com o mapa carregando na minha frente.
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Como algo parecido rolou comigo em Until Dawn, realmente não estou com sorte nesses ports de PlayStation em relação a bugs. |
Apesar desses problemas iniciais — que podem ser corrigidos com patches —, a experiência foi bastante positiva e muito mais estável do que o trabalho da Iron Galaxy no remake do primeiro título e melhor que o desempenho da própria Nixxes no recente Spider-Man 2.
O port também oferece suporte ao DualSense e todos os seus recursos nativamente, além da compatibilidade com o Controle Adaptável Xbox, aprimorando ainda mais o excelente empenho de acessibilidade do game. É, claro, todo conteúdo adicionado na versão Remastered está incluso, como o modo Sem Volta, comentários do diretor, skins para as protagonistas, entre outros.
Uma experiência incrível agora mais acessível
The Last of Us Parte II Remastered continua sendo uma experiência impactante que só os videogames podem proporcionar. Cinco anos depois, ainda se destaca como um jogo corajoso em sua narrativa, envolvente de jogar, com uma dublagem espetacular e uma quantidade generosa de conteúdo, consolidando-se como uma experiência única dentro dos jogos AAA.
O port para PC é sólido e supera as versões problemáticas que vimos nos últimos anos, mas ainda há espaço para refinamentos que poderiam torná-lo a melhor maneira de vivenciar a jornada de Ellie e Abby.
Prós:
- Uma continuação que vai além de ser apenas mais uma jornada de Ellie e Joel, independente se é de agrado do público ou não;
- Jogabilidade satisfatória e extremamente divertida, muito devido à violência dos embates;
- Todo o conteúdo da versão Remastered, incluindo compatibilidade com Dualsense e o controle adaptativo Xbox, está incluso;
- Uma série de ajustes de configuração gráfica para balancear qualidade visual e desempenho ao gosto do jogador, podendo mudar até dentro da própria gameplay.
Contras:
- Bugs gráficos e queda de desempenho por demora para carregar os cenários podem ocorrer ocasionalmente;
- Cenários mais detalhados são bem exigentes com GPU, provocando queda na taxa de quadros.
The Last of Us Parte II Remastered — PC/PS5 — Nota: 8.0Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Beatriz Castro
Análise produzida com cópia digital cedida pela PlayStation Publishing