Análise: Koira compensa a falta de desafios com uma bela história de amizade

Uma garota deve atravessar uma floresta gelada e escapar de armadilhas e caçadores para conseguir ajudar um cãozinho a voltar para casa.

em 02/04/2025
Para os entusiastas de aventuras de maior profundidade narrativa e estilo artístico único (nos moldes de Journey, Brothers e Flower, só para citar alguns), Koira surge para mostrar como a amizade entre uma criança e um filhote pode acabar virando uma aventura delicada.

Jornada para casa

Em uma terra gelada, Koira percorre uma paisagem escura e fria, como uma floresta que acabou de ser coberta por uma geada. No meio do seu passeio, ela encontra um filhote preso em uma armadilha. Após libertar o cãozinho, a garota se compromete a ajudá-lo a voltar para casa. Assim começa uma relação de amizade que vai se intensificando até o final.

O que mais chama atenção no jogo é seu estilo artístico único. O contraste da protagonista, assim como os elementos de primeiro plano, são inteiramente pretos ou escuros, o que deixa as cores frias para o ambiente. Outro ponto muito bacana são os modelos desenhados a mão, que sempre adicionam um charme único às animações.

Um dos meus momentos favoritos foi quando Koira consertou uma escada e subiu em uma torre junto com o bichinho. Lá no topo, ele “latia balões” com desenhos e a garota deveria encontrar nuvens com desenhos semelhantes. Essa é uma maneira lúdica e fofa que combina com a proposta do jogo para envolver o jogador nessa bela amizade em construção.

A trilha sonora não fica atrás, capaz de dar suporte na medida para os momentos de exploração e as cenas que envolvem alguma interação mais profunda entre a menina e o cachorrinho. A sensação é a de que controlamos um livro de contos e seguimos, página a página, sendo nós mesmos os narradores.

Do começo ao fim, mas sem saber onde está o meio

Koira não é uma aventura longa, durando uma média de 4 horas para ser finalizado. Ainda assim, o jogo pode ter alguns momentos de confusão, ocasionados pelo foco no minimalismo e na simplicidade.

A exploração ocorre em um espaço limitado, mas ainda assim aberto. Como podemos circular livremente, é fácil se perder ao procurar algum objeto no meio da neve ou o caminho certo a ser percorrido. Não há mapas ou setas indicando uma direção, apenas uma ou outra placa com sinais. Mas, como não se trata de uma aventura com desafios complexos, é fácil descobrir para onde ir depois de um tempinho indo para lá e para cá.

Os enigmas também são bem simples, presentes apenas para cumprir seu papel narrativo. A maioria deles envolve achar três notas musicais para ativar estátuas de pedra, que desencadeiam algum tipo de memória ou evento que dá prosseguimento à história. Logo, a jogabilidade é bastante repetitiva, pois consiste em explorar o espaço, achar notas, dar algumas maçãs e cenouras para o cãozinho, brincar de pegar o graveto e resolver um ou outro quebra-cabeça.

Pode-se dizer que, bem de leve, há um pouco de flerte com stealth, já que em alguns trechos temos que nos esconder de caçadores. Entretanto, se formos pegos só regredimos um pouco no caminho, o que não acarreta em nenhum tipo de punição grave como perder uma vida.

Nada disso é realmente um problema, mas a natureza simplista pode acabar afastando quem gostaria de algo mais denso com um dedinho a mais de complexidade na jornada. A parte grave aparece caso quem esteja no controle queira fazer uma pausa.

Koira é dividido em capítulos, podendo ser retomado sempre ao início de cada um, mas nunca fica claro onde eles começam ou terminam. Aconteceu mais de uma vez a situação de eu precisar interromper a partida e voltar depois de um tempo. Nisso, fui obrigado a refazer boa parte das coisas pelas quais já havia passado.

Para aquecer o coração, não a cabeça

Koira deixa bem claro que sua proposta é entregar uma história tocante, sem se preocupar em ser complexo ou com puzzles desafiadores. Ele entrega isso com primor, sem dúvidas, mas ainda assim há algumas falhas chatinhas, como a da seleção de capítulos, que poderiam ser melhoradas para deixar o título mais redondo.

Prós

  • A história é linda e aliada ao estilo artístico e trilha sonora,fazem do jogo um conjunto envolvente para o jogador;
  • Os quebra-cabeças lúdicos exploram bem o poder de interpretação do jogador, sem serem muito exigentes.

Contras

  • A jogabilidade é um tanto quanto repetitiva e a exploração tem momentos um pouco confusos;
  • Não fica claro em nenhum momento o ponto de início de cada capítulo ou quando um autosave é realizado.
Koira — PC/PS5 — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
Análise feita com cópia digital cedida pela Art Of Play Interactive
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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
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